quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Diários de Cumuruxatiba - Novembro/Dezembro

Último mês do ano de 2010! 
A pedidos, resolvemos contar uma ou duas histórias, pequenas histórias com a cara do Projeto de Gente.
 Pequenas histórias.
Jogo de bola do lado de fora da casa do Projeto de Gente. Três meninos driblando uns aos outros. Dentro da casa, três meninas, sentadas no chão pois não tínhamos nenhum móvel, desenham com lápis de cor e tinta guache.
 De repente, a bola entra pela pequena janela do quarto em que elas estão e cai, justo, sobre um dos  desenhos. Por sorte não acerta os pequenos potes de guache.
 O educador que estava com as meninas chega à janela, porém, como mágica, os três meninos “desaparecem”. Cada um corre para um canto; ou melhor, dois correm para dois cantos e um para cima de uma mangueira – este não tão rápido quanto os outros.
-        Não fui eu não, “foi” eles!, já foi se defendendo.
-        Ô, cara, ninguém tá querendo saber quem foi, mas chama os outros lá.
-        “Os menino”, faz favor!, ressabiado o carinha chama os amigos. Observação: “Os menino”, “as menina”, é assim que se chama, aqui em Cumuruxatiba, um grupo de meninos e meninas – sem o s final. Também não se fala: Vem cá, por favor!, diz-se apenas: faz favor!, e já se sabe que é para chegar perto.
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Diários de Cumuruxatiba - Setembro/ Outubro



Setembro foi marcado pelo debate sobre a Escola Projeto de Gente. Adultos, meninos e meninas foram envolvidos pelo tema e seus variados aspectos: “será que todos que quiserem vão poder participar?”, “quem está nesta escola vai precisar ir na outra?”, “quem vier na escola do Projeto vai ter diploma que vale?”, “oba! não tem prova?”, “sei não, acho que meu pai vai ficar com medo de me colocar em outra escola!”, “vai ser uma escola paga?”, “e se eu mudar de cidade, p'ra que ano que vou?”, “a gente aprende o mesmo que na outra escola?”, “e se me perguntarem em que ano que 'tou, o que que eu falo?”, “quem vai dar aula?”, “tem aula?”, “se não tem prova, como é que faz?”, “tem presença?”, “é preciso explicar muito bem este negócio de liberdade, se não vão pensar que é bagunça!”, “onde é que vamos conseguir dinheiro para levantar a escola?”
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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Diários de Cumuruxatiba - Agosto

Três anos de atividades. Três anos de erros e acertos. Três anos de aprendizado. Mais de 120 meninos e meninas passaram pelo Projeto de Gente neste período. Destes, muitos, quase todos, se sentem ainda pertencentes a este espaço. Alguns presentes com muita regularidade, outros mais distantes. Motivos do afastamento: cresceram, motivaram-se por outros movimentos, mudaram de cidade, perderam o interesse pelo que existe no dia a dia do Projeto, uma teve um filhinho, outros estão trabalhando...

O que conquistamos nestes anos? Confiança dos meninos e meninas. Apesar de termos muitas dificuldades no contato com as famílias, percebemos também – pelo fato de permitirem a ida de seus filhos - um grau importante de confiança.

O que não conquistamos? Muito; porém, o mais importante: não conquistamos uma estrutura verdadeiramente democrática. Ou melhor, os meninos e meninas não conseguiram romper suas resistências quanto ao processo democrático de conversação e negociação das questões coletivas. É certo que alguns adultos também tiveram dificuldades de abrir mão de condutas dominadoras.

O que comentaremos, a seguir, é o resultado de observações, muita conversação; também vamos escrever sobre os rumos que estamos propondo ao Projeto de Gente em Cumuruxatiba.
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Diários de Cumuruxatiba - Julho

Mês de férias. 15 dias. Os acontecimentos dos últimos meses trouxeram, com mais evidência, reflexões sobre a dinâmica cotidiana do Projeto de Gente. Os principais pontos: como fortalecer a democracia, como incrementar a divisão de responsabilidades, como mostrar que, aqui, cada um é responsável por si e também pelos demais, como trabalhar a importância da livre manifestação ao lado do outro – isto é, como viver a liberdade com o outro.
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