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terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Diários de Cumuruxatiba - Novembro/Dezembro

Último mês do ano de 2010! 
A pedidos, resolvemos contar uma ou duas histórias, pequenas histórias com a cara do Projeto de Gente.
 Pequenas histórias.
Jogo de bola do lado de fora da casa do Projeto de Gente. Três meninos driblando uns aos outros. Dentro da casa, três meninas, sentadas no chão pois não tínhamos nenhum móvel, desenham com lápis de cor e tinta guache.
 De repente, a bola entra pela pequena janela do quarto em que elas estão e cai, justo, sobre um dos  desenhos. Por sorte não acerta os pequenos potes de guache.
 O educador que estava com as meninas chega à janela, porém, como mágica, os três meninos “desaparecem”. Cada um corre para um canto; ou melhor, dois correm para dois cantos e um para cima de uma mangueira – este não tão rápido quanto os outros.
-        Não fui eu não, “foi” eles!, já foi se defendendo.
-        Ô, cara, ninguém tá querendo saber quem foi, mas chama os outros lá.
-        “Os menino”, faz favor!, ressabiado o carinha chama os amigos. Observação: “Os menino”, “as menina”, é assim que se chama, aqui em Cumuruxatiba, um grupo de meninos e meninas – sem o s final. Também não se fala: Vem cá, por favor!, diz-se apenas: faz favor!, e já se sabe que é para chegar perto.
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Diários de Cumuruxatiba - Setembro/ Outubro



Setembro foi marcado pelo debate sobre a Escola Projeto de Gente. Adultos, meninos e meninas foram envolvidos pelo tema e seus variados aspectos: “será que todos que quiserem vão poder participar?”, “quem está nesta escola vai precisar ir na outra?”, “quem vier na escola do Projeto vai ter diploma que vale?”, “oba! não tem prova?”, “sei não, acho que meu pai vai ficar com medo de me colocar em outra escola!”, “vai ser uma escola paga?”, “e se eu mudar de cidade, p'ra que ano que vou?”, “a gente aprende o mesmo que na outra escola?”, “e se me perguntarem em que ano que 'tou, o que que eu falo?”, “quem vai dar aula?”, “tem aula?”, “se não tem prova, como é que faz?”, “tem presença?”, “é preciso explicar muito bem este negócio de liberdade, se não vão pensar que é bagunça!”, “onde é que vamos conseguir dinheiro para levantar a escola?”
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