terça-feira, 17 de novembro de 2009
Encerramento do ano de 2009
sábado, 11 de julho de 2009
Diários de Cumuruxatiba
Quando a chuva dava uma trégua nos reuníamos debaixo do jamelão – aliás, carregadíssimo – no terreno do Cantagalo. Mais de uma vez o toró caiu e era criança para todo lado, correndo para casa.
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Chegou o blog MARÉ DA GENTE!

domingo, 10 de agosto de 2008
Novas publicações ... no ritmo baiano
quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
quarta-feira, 25 de julho de 2007
O Projeto de Gente em Cumuruxatiba
Foi, então, que apareceu Cumuruxatiba em nosso horizonte. Neste lugar, ponto do primeiro encontro entre os europeus com os nativos da terra que viria a se chamar Brasil, campo primário da extraordinária mestiçagem que combina qualidades e que, assim, organiza novas possibilidades, encontramos as condições mais propícias para assentar o Projeto de Gente.
O azul turqueza do mar de Cumuru
Fomos apresentados por um descendente da generosidade da terra, pois, não tendo nascido nela, foi por ela reconhecido como nativo por conta do imenso respeito e atenção que dedicou às pessoas que ali nasceram.
E, ali, nascem crianças, muitas crianças, de olhos grandes como jabuticabas, olhos muito brasileiros, filhos dos de pele clara com os de pele escura ou avermelhada, filhos daqueles de ancestrais cabelos africanos com os de lisos cabelos tupiniquins.
Quem leva quem?
São crianças que aprendem o que podem na escola e também junto a seus pais e mães pescadores, mercadores, eletricistas, pedreiros, barqueiros, cozinheiras, que, por sua vez, abandonaram a mesma escola ali pelos 10 ou 11 anos ainda curiosos mas desmotivados... e seguiram a rota já traçada que, para muitos, não leva ao destino mais abrangente e feliz.
Nego, Carlinha e Ester
Vale dizer que este amigo que nos apresentou Cumuruxatiba já havia nos oferecido uma casa para a implantação do Projeto. Pois bem, fomos lá para conhecer as pessoas, a cidade, sua energia e expectativas e também para nos apresentar, apresentar nossas idéias, nossos corações. Voltamos decididos a fazer este movimento, pois as indicações de que Cumuruxatiba é mesmo um belo local para iniciar o Projeto de Gente foram muito claras.
Durante os dias que passamos lá foi ficando mais claro o que estávamos percebendo: implantar o Projeto num lugar menos tensionado por forças de difícil conciliação como as que existem na cidade grande pode ser algo muito adequado e protetor para que toda a estrutura do Projeto se fortaleça e vingue (note que dizemos “menos tensionado”, não “distensionado”, pois claro que lá também existem tensões, porém menos intensas).
A carência de um campo de suporte mais abrangente para as crianças fora da escola também ficou bem evidente. As crianças são criadas em liberdade, porém liberdade não é suficiente, é necessário um cuidado, uma certa e delicada atenção para que os caminhos dessas crianças não se confundam enquanto ainda são descobertos por elas mesmas.
Conhecemos pais e mães que gostariam de ter pessoas que estudassem com seus filhos e filhas depois da escola porque eles mesmos não podem, não sabem como fazê-lo, pois muitos são quase analfabetos.
Não vamos “trombar” com a escola do local – ela é conduzida (conhecemos uma professora e conversamos bastante) com muito carinho e belas intenções -, vamos, fora da escola, brincar, estudar e estar junto das crianças com os conceitos do Projeto de Gente, da Pedagogia Libertária, das Escolas Democráticas e, aos poucos, demonstrar e apresentar novos conceitos e alternativas à escola local.
Também percebemos que podemos trabalhar com pessoas mais velhas, adultos que, por variados motivos, abandonaram a escola e gostariam de retomar os estudos.
Objetivo Geral
“A Cultura da Paz é a paz em ação, isto é, o pleno respeito aos direitos humanos no dia a dia das pessoas. Trata-se de criar condições para que as pessoas sejam capazes de conviver, de criar um novo sentido de compartilhar, ouvir e zelar umas pelas outras. Implica assumir a responsabilidade pela participação numa sociedade democrática que luta contra a pobreza e a exclusão social, ao mesmo tempo que garante a igualdade política, a eqüidade social e a diversidade cultural.”
Toda nossa estratégia estará, em algum ponto, ligada a este tema.
Outro ponto de grande importância e também diferencial neste empreendimento é a profunda valorização daqueles que fazem mater-paternagem das crianças.
Usamos o termo mater-paternagem para, merecidamente e com muito respeito, incluir todos aqueles que cumprem, por variadas motivações, a delicada função de pais e mães de qualquer criança. Ora, um projeto que pretende oferecer-se como campo de desenvolvimento para qualquer criança não pode deixar de valorizar aqueles que certamente foram, e provavelmente ainda são, fundamentais – muitas vezes apenas da forma possível - à sua existência. Assim, sólidos canais de interlocução serão estabelecidos com os responsáveis das crianças. De fato, mais que simples interlocução, serão co-participantes na gestão do projeto.
O Projeto de Gente oferece, em síntese:
1- atenção à Individuação – um lugar onde não se valoriza apenas a média ou, pior e por lógica, o superior (qualificado, elogiado) e o inferior (desqualificado, humilhado);
2- uma forma de estudar que, ultrapassando um mero treinamento cognitivo, funda-se em trocas afetivas e emocionais que proporcionam estímulo e alegria criativa a este ato – no Projeto, a hora de estudar, fazer deveres é vivida com grande prazer, sendo impossível dissociá-la da hora do lazer;
3- contribuição ao desenvolvimento pedagógico da criança em sua escola – isto é, contribui para que suas crianças sejam capazes de desenvolver suas habilidades e se aprofundar em qualquer área do conhecimento humano que lhes atraia;
4- desenvolvimento da consciência corporal que estimula a aquisição de força interior e alegria;
5- o desenvolvimento do saber cuidar através da promoção de autonomia e solidariedade, respeito ao outro e contato com o amor-próprio - isto é, busca a formação de cidadãos responsáveis por suas ações e capazes de determinar o curso e a dimensão de suas atividades, ajustadas consigo mesmos e capazes de aprender com as diferenças;
6- promoção e exercício prático, objetivo e cotidiano de uma real Cultura para a Paz; e
7- saúde.
Breve Histórico
Estas pessoas passaram a realizar encontros semanais com o intuito de elaborar e implantar um método de trabalho no qual se contemple uma aparentemente simples, porém básica, constatação: o estado de bem estar é percebido quando estamos bem “internamente”, isto é, quando a pessoa se sente bem consigo mesma, saciada em relação às necessidades básicas pessoais.
Uma conclusão aparentemente óbvia, não fosse a dificuldade que cada um de nós tem em reconhecer quais são essas necessidades, pois nascemos sem nada saber a respeito de nós mesmos; isto é, não temos consciência de quem somos. Além disso, se não sabemos quem somos, também aqueles que nos recebem e nos rodeiam, tampouco nos conhecem. Esta é a tremenda vivência a que estamos expostos ao nascer: não nos sabemos e ninguém sabe quem somos.
Esta observação – “estou bem quando estou bem comigo mesmo” -, embora simples, é extremamente delicada e de complexa organização, pois, estar bem consigo mesmo, eqüivale estar saciado nas necessidades pessoais básicas, mas também implica estar assegurado quanto a possibilidade de reconhecer, serena e claramente, tais necessidades; e, jamais devemos esquecer, nossas necessidades básicas se expressam, indistintamente, tanto no campo emocional quanto no físico.
De fato, para nos sentirmos realmente bem será preciso perceber que somos uma unidade dinâmica: corpo (físico - visível) e alma (psique, mente - invisível), corpo-alma, corpoalma.
Alguém impedido de alcançar uma fonte alimentar básica para sua existência vai, inevitavelmente, apresentar sintomas de carência deste elemento. Por exemplo, se lhe falta água, os sinais de desidratação aparecerão sem dúvida.
Se do ponto de vista objetivo isto salta à vista, com a mesma clareza podemos refletir a respeito do invisível mundo de nossa sensibilidade.
Se não reconhecemos e atendemos nossas necessidades emocionais essenciais – uma sensibilidade completamente pessoal - iremos, também sem dúvida, manifestar sinais. Sinais que ficarão claros em ações confusas e numa angustiada e sofrida expressão do ser em sua relação cotidiana com o mundo.
Tais necessidades emocionais – nem boas nem más - são, podemos dizer, nossa identidade e nossa intimidade: nossa Individuação, nossa singularidade. Uma sensibilidade que, embora com conteúdos compartilhados com todos os demais seres humanos, é, em seu arranjo final, absolutamente única, pessoal. O que estamos dizendo é que, assim como somos constituídos das mesmas substâncias – glicose, glóbulos vermelhos, sódio e potássio, por exemplo – e ninguém as tem organizadas da mesma maneira (uma quase impossibilidade estatística), o mesmo acontece em relação ao mundo das emoções e sensibilidades. Todos possuímos as mesmas – medo, insegurança, alegria, tristeza, por exemplo – mas, também aqui, as organizamos de um modo único (ninguém sente medo como o outro o sente): a INDIVIDUAÇÃO. Assim, o que é particularmente sensível a um não o será necessariamente para outro; o que não significa nem maior nem menor vantagem ou superioridade, apenas distingue.
O psicólogo James Hillman sintetizou, de modo simples e claro:
”...para se entender a vida humana (não podemos) omitir algo essencial: a particularidade que você sente que é você.” (em “O Código do Ser”)
Entre os seres humanos o conhecimento desta singularidade – dado que não a sabemos de antemão - é alcançado através das experiências que o cotidiano nos oferece.
Este projeto de trabalho chama atenção para a imensa responsabilidade dos adultos, que devem oferecer campo adequado para que suas crianças tenham a mais ampla possibilidade de conhecer e respeitar a si próprias; possibilitando, portanto, o reconhecimento do amor-próprio que alimenta a própria individuação e a construção de uma serena auto-estima, bases para o exercício do respeito ao outro e do direito de ser singular e incluído socialmente.
O desenvolvimento de uma individuação sadia gera exatamente o contrário de um movimento egoísta, individualista (daí a importância do termo individuação, e não individualidade, para que exista uma clara distinção entre os dois movimentos), sendo, portanto, base também para a construção de uma sociedade sem preconceitos, serena, progressivamente evoluída e saudável.
Fica também claramente evidenciado que este projeto é também um projeto de saúde, saúde em sua manifestação mais integral e plena. Aliás, a este respeito disse o médico e educador polonês Janusz Korczak: “Sem uma infância serena, toda a vida, em seguida, é apenas uma enfermidade.”
Queremos, portanto, sublinhar um ângulo, para nós fundamental, em relação ao amplo problema do desenvolvimento e integração de nossas crianças e jovens à uma vida ativa e plena: o freqüente desinteresse, e eventual desprezo, por sua Individuação. Tal desinteresse, é sempre bom lembrar, se dá por motivos variados e, muitas vezes, compreensíveis.
Pois bem, com o aprofundamento dessas e outras questões, o grupo atraiu adeptos e cresceu. Todos tinham, agora, uma certeza: o estado de se sentir bem consigo mesmo devia ser trabalhado desde a mais tenra idade, com a criança, com os pequeninos ou, se quiserem, com os pequeninos projetos de gente.
Origem do Nome
Ouviu e sentiu seu coração apertado ao reconhecer quantas vezes as crianças são desqualificadas e atropeladas por este tipo de atitude; ouviu e recordou-se quantas vezes ele, seus irmãos e amigos foram tratados com o mesmo desprezo quando eram crianças; ouviu e percebeu que muitas vezes isto não acontecia por má fé, ou exatamente desamor, mas pelo hábito de se considerar as crianças incapazes de ter percepções e sentimentos sobre o que se passa à sua volta, como se fossem nada, ou apenas um esboço, um projeto.
Olhando a criança e percebendo a profunda tristeza em seu olhar, o sujeito reafirmou a certeza de que aquela criança era um projeto sim, mas um projeto de vida que merecia toda atenção e cuidado para desenvolver-se livre e respeitada desde seu primeiro momento no planeta: um ser sensível e único, singular.
Lembrou-se da canção:
“...já podaram seus momentos, desviaram seu destino, seu sorriso de menino quantas vezes se escondeu...”,
e então, – embora não acredite que alguém possa exata e deterministicamente desviar o destino de outra pessoa, mas sabe que um sorriso pode de fato se esconder... e tão bem que, muitas vezes não é reencontrado - deu-se conta que encontrara nome para o empreendimento que vinha elaborando há alguns meses.
O Arquétipo do Projeto de Gente

A história de Quíron
Filho do deus Crono e de Fílira, era também divino e possuía, portanto, o atributo da imortalidade.
Meio cavalo-meio humano, Quíron identificava-se com os seres humanos, era amigo deles e ensinava-lhes música, a arte da guerra e da caça, além de exercer a medicina, pois conhecia as propriedades curativas de certas ervas. Entretanto, ainda não tinha consciência do quanto conheceria e compreenderia os humanos, nem do quanto sua forma de ser médico se desenvolveria.
Amigo de Hércules, o centauro foi, inadvertidamente, atingido por uma flecha envenenada disparada por ele. O veneno mágico provocava uma ferida que, embora não matasse, não cicatrizava, nunca curava. Uma ferida que, como toda ferida, quando tocada doía muito, insuportavelmente. Quíron aprendeu que precisava proteger aquele lugar.
Para ele, proteger significava cuidar, e, para cuidar da melhor maneira, precisava então conhecer bem aquele ponto de sensibilidade.
Pois foi exatamente por isto, que Quíron compreendeu profundamente quem eram os humanos.
O centauro ferido percebeu que todos possuem um lugar em seu ser de extrema sensibilidade; uma ferida, podemos dizer. Uma ferida que nunca fecha. Percebeu que isto não acontecia apenas no corpo, estava de fato presente no interior de cada um, em seu íntimo. Havia uma ferida na alma.
Percebeu - por sentir em si mesmo a dor...e, daí, o medo de vir a sentir esta dor – que, embora todos possuíssem uma ferida, em cada um ela era única, absolutamente pessoal. De fato, constituía uma sensibilidade que identificava aquela pessoa.
Aprendeu que se reconhecêssemos, aceitássemos e cuidássemos da ferida, vale dizer, se reconhecêssemos, aceitássemos, nossa sensibilidade, poderíamos viver com maior tranqüilidade e serenidade, pois, ela – a ferida - não impede a vida; pede apenas atenção e cuidados. Na verdade, em seu sentido mais profundo, esta sensibilidade revela a vida, pois será de acordo com ela que aquela singular pessoa se sentirá realmente viva.
Agir assim significa reconhecer quem cada um é, aceitar quem é e encontrar a melhor maneira de cuidar de si mesmo.
Compreendeu que se nos rebelássemos contra esta sensibilidade pessoal, negando-a, estaríamos inevitavelmente construindo um grande mal estar. Quíron, o médico ferido, apontava para a gênese da doença em seu sentido mais radical.
Na gruta do Monte Pélion, onde vivia, o centauro orientou vários curadores, entre eles Jasão e Asclépio, sempre ensinando que a possibilidade de cura mais profunda estava no contato e aceitação com nossa sensibilidade mais íntima, com nossa condição única de ser.
Outro aspecto de imensa importância percebido por Quíron foi que, quando conhecemos e respeitamos a nós mesmos, a chance de nos abrir para conhecer e respeitar o outro aumenta muito. Vislumbrava, por conseguinte, a possibilidade de construção de uma sociedade mais justa e sadia.
Entretanto, sua condição imortal trazia-lhe angústia infinita. A imortalidade era incompatível com a vida, pois a dor, embora conhecida e cuidada era, para ele, eterna e, por isso, insuportável. Os humanos podiam morrer, o médico ferido não.
Compadecido, Zeus - ouvindo os conselhos de Hercúles, infatigável em sua luta por minorar o sofrimento que involuntariamente provocara no amigo -, aproveitou uma circunstância favorável e trocou a imortalidade de Quíron pela mortalidade do humano Prometeu, que nascera mortal, mas conquistara, por suas atitudes durante a vida, a condição divina.
O médico pôde, enfim, morrer.
Homenageado pelos deuses transformou-se na constelação de Sagitário, o centauro que lança a flecha, que um dia o envenenou, mas agora simboliza a trajetória daquele que, através do conhecimento e da aceitação profunda de si mesmo, soube perceber também a dor e sensibilidade do outro e ensinou como cuidar desta condição. Além do mais, reconheceu aí a origem da doença – e a busca da cura - no ser humano.
Quíron nos fala, portanto, da necessidade de reconhecer e respeitar quem somos e quem cada um é; de se conhecer a vocação vital de cada um, não apenas a vocação profissional como é nosso hábito, mas a profunda vocação do ser; e, sendo, contribuir com o que melhor temos a oferecer para a organização da vida abundante.
O Médico Ferido coloca esta possibilidade na base da construção de uma vida realmente saudável. Leva radicalmente a sério a antiga citação: “mente sã em corpo são.” Radicalmente, pois, para ele, não há um sem outro, nem outro sem um.
Junito Brandão, dedicado ao estudo e ensino das culturas antigas, ouvia os mitos e dizia:
“Cada nação, cada cidade, cada povo, cada casa, cada família, cada homem tem o seu Centro do Mundo, seu “ponto de vista”, seu ponto imantado, que é concebido como ponto de junção entre o desejo-necessidade - coletivo ou individual – e... que (alimenta)... a possibilidade sobrenatural de satisfazer a esse desejo-necessidade...”
Este parágrafo está em completa harmonia com o significado do mito de Quíron, o mestre de Asclépio – o Esculápio dos latinos -, filho de Apolo e da mortal Corônis, tão talentoso na arte de curar que chegou a ressuscitar algumas pessoas, e foi, por isso, fulminado por Zeus que temeu um possível transtorno da ordem do universo.
Asclépio, um dos deuses mais longevos de todo o panteão divino grego, também vai nos ajudar a compreender o Projeto de Gente.
Ele criou uma Escola de Medicina e Centro de Saúde em Epidauro, na Grécia, que seguia os ensinamentos de seu mestre, sintetizado no conhecido dito: “Conhece-te a ti mesmo”.
Na entrada de seu santuário de cura, gravou as seguintes palavras:
“Puro como aquele que entra no Templo. Pureza significa ter pensamentos sadios.”
Puro, no sentido do pensamento grego, é aquele que busca, incansável, alcançar o seu centro, seu templo.
Em profunda sintonia consigo mesmo, ele terá pensamentos, sentimentos e ações saudáveis e construtivos, puros e originais. Neste centro muitos identificam o que é chamado de divino - um divino que é também humano - ao qual devemos nos religar, respeitar, amar e oferecer ao mundo.
Em Epidauro, todas as ações de cura tinham como objetivo promover o autoconhecimento, a alcançar a mais pura consciência de si mesmo, ponto de partida para a transformação dos sentimentos e ações reativas e equivocadas em atitudes harmônicas e saudáveis.
Lá havia um pequeno teatro, o Odeon; um Estádio, para competições esportivas; um Ginásio, para exercícios físicos; também um grande Teatro; e uma Biblioteca. Todo este conjunto visava a elevação espiritual e a humanização dos que procuravam cuidar-se. Havia também uma sala onde as pessoas dormiam, sonhavam e contavam seus sonhos – a mais arcaica fonte de contato com nosso mundo íntimo - para que fossem interpretados pelos médicos, que então prescreviam tratamentos, com uso de cores e águas, por exemplo.